Guerra ao Terror

Desde a estréia americana no ano passado que o filme da cineasta Kathryn Bigelow tem arrancado elogios da crítica internacional, mas por aqui a distribuidora bobeou lançando-o diretamente em DVD, em meados de 2009. Os prêmios que o filme vem angariando desde alguns meses, e as indicações ao Oscar que eram bem previsíveis e aguardadas resultaram no lançamento nos cinemas brasileiros nesse final de semana. Mas cuidado: em muitas salas, o filme está sendo exibido em cópias digitais, o que torna preferível os espectadores então correr para as locadoras e assisti-lo nas poltronas confortáveis de seus lares.

Quanto ao filme em si, Guerra ao Terror foi comentado na edição de setembro da Zingu!, e cabe aqui uma reprodução daquele texto, aproveitando a circunstância dele estar finalmente entrando em cartaz no circuito nacional. O filme de Kathryn Bigelow é bastante expressivo sem ser firulento. A força de suas imagens em momento algum é fetichizante em relação à guerra, até por não ser sobre a guerra em si, mas sobre os últimos dias antes do retorno para casa de alguns integrantes de uma unidade anti-bombas do exército americano, que, mesmo longe dos campos de combate, precisam lidar na rotina diária contra insurgentes que promovem atentados, colocando em risco a segurança das ruas de Bagdá (quase sempre fugindo das situações óbvias com o uso de bombas freqüentes em outras produções). Um período relativamente curto que seria tranqüilo não fosse pelo excesso de tantas ocorrências em tão pouco tempo, ainda mais que um dos peritos é despreocupado e audacioso em demasia nas arriscadas operações, cujo acumulo de trabalho vai perturbando o emocional dos envolvidos e conferindo cada vez mais a dimensão do horror em que se transformou o teatro de operações no Iraque. Nem mesmo um documentário teria sido tão preciso na captura do registro histórico em questão.

O filme ganha muito em tornar os personagens como seres rarefeitos, o tempo todo com seus uniformes e capacetes e em como se portam na sua rotina de trabalho, numa sucessão de cenas que por vezes desnorteia o espectador, colocando-o sensorialmente no meio das operações nesse campo de guerra. Durante um bom tempo, é difícil discernir os personagens um do outro, e ao longo da projeção é que a individualidade de cada um vai tomando forma aos nossos olhos, tanto que numa das raras ocasiões em que o filme sai do seu foco principal é numa frustrada investida de um dos protagonistas à paisana que fracassa miseravelmente ao querer investigar a razão de um dos atentados para logo em seguida retornar a sua base militar. Nesse percurso todo, sobressai-se a atuação de Jeremy Renner, que acaba se tornando a alma do filme, e que agora é recompensado com uma das nove indicações do filme ao Oscar.

Guerra ao Terror é a prova da maturidade de Bigelow, que desde os anos oitenta vem construindo uma carreira à margem dos blockbusters hollywoodianos, e entre acertos e fracassos, finalmente alcança um reconhecimento mais amplo em seu trabalho.

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