Positivas

Especial A Aids no Cinema Brasileiro

Positivas
Direção: Susanna Lira
Brasil, 2009

Por Adilson Marcelino

 

Positivas, de Susanna Lira, focaliza um grupo de sete mulheres soropositivas que vivem em locais diferentes no país: Salvador, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre

O título do filme, apropriadíssimo, tem duplo sentido: todas foram infectadas pela Aids, e, sobretudo, todas encarnam postura positiva frente à doença e à vida ao se engajarem na militância para dizimar o preconceito que envolve os portadores do HIV e os doentes.

Integrantes do movimento Cidadãs Posithivas, elas foram contaminadas pelos seus maridos, namorados e companheiros. Convivendo com o vírus há 8, 12, 15 anos, elas são exemplo de que ainda que a doença seja fatal, o  diagnóstico de Aids não é sinônimo de morte e que é possível levar uma vida com a dignidade resgatada em meio a tanto preconceito.

Cada uma delas divide os afazeres da militância com o dia a dia de qualquer outra pessoa: família, namorado, religiosidade, diversão.  E todas fazem de suas experiências militância, engajadas em campanhas de conscientização e de apoio, pronunciando palestras, fazendo corpo a corpo na rua para panfletar e organizando ações do movimento.

O grande mérito de Positivas é que aqui a voz é do próprio sujeito de sua história. Ele traz para a cena os relatos de suas personagens, abrindo espaço também para os familiares, amigos e companheiros, além de focalizar suas ações de conscientização.

Há, ainda, seus testemunhos sobre como é viver soropositiva com os recursos médicos atuais. Ainda que os coquetéis prolongaram a vida dos infectados, todas deixam claro que seu uso não é um mar de rosas, pois há efeitos colaterais, além da exigência de uma disciplina rigorosa no tratamento. Daí, alertam para o uso do preservativo, já que, inclusive, com os estimulantes sexuais, as relações também se prolongaram, com idosos também contaminando e sendo contaminados.

E chamam a atenção para o principal motivo das mulheres se tornarem soropositivas: o tabu da exigência da camisinha em um casamento – “amor não imuniza”, reforçam. Há relatos trágicos, como a de uma que se contaminou com o marido depois de 31 de casados; a de outra que foi se casar só aos 40 anos para se separar três meses depois e se descobrir contaminada pelo marido; e a da mãe que foi afastada dos netos pela filha. Só que o que poderia render relatos melodramáticos – e com toda a razão – jamais se resvala por essa chave, pois são guerreiras. E, mais que isso, fazem de suas vidas uma postura política.

Positivas é documentário que realmente tem o que dizer, e a direção de Susanna Lira é sempre respeitosa, sem jamais ser subserviente. Vencedor do Troféu Redentor de Melhor Documentário pelo Júri Popular no Festival do Rio, o filme vem ganhando o país e o mundo, com exibições em vários estados e em festivais na França, Colômbia, Argentina e Uruguai.

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