O Mau Caráter

Especial Jece Valadão Cineasta

O Mau Caráter
Direção: Jece Valadão
Brasil, 1974.

Por Adilson Marcelino

O Mau Caráter é título apropriadíssimo para a persona cinematográfica que Jece Valadão forjou para si mesmo, para sempre associado à arte da cafajestagem.

Só que ao contrário do que parece, esse O Mau Caráter aposta muito mais na comédia debochada do que no entrecho policial em que ele nadava de braçada e que o título faz supor.

Aqui, Jece Valadão é Baby, um gerente de oficina que sonha em ser integrante do o grand monde. E para isso, passa a mão nos carrões que pipocam por lá e vai a campo para dar o golpe em viúvas idosas endinheiradas.

No início, acompanhamos um desses golpes, em que Estelita Bell vai parar num pardieiro para saborear um pf apimentado como se aquilo tudo fosse um atrativo folclórico como Baby insiste  em fazê-la pensar.

Mas a coisa esquenta mesmo  é quando Baby conhece um barão falido, mas cheio de pompa, interpretado por Rodolfo Arena. Eles -e mais a filha do barão, Camila, interpretada pela deusa Vera Gimenez – botam pra quebrar junto a granfinada para desfrutar da boa vida e garantir uns tantos trocados.

Entre as vítimas do bando estão a ricaça Licia Magna e o casal Rubens de Falco e Eloísa Mafalda. A primeira, roda o colar e suspira pelas juras indiretas de amor de Baby; já o casal cai nas garras dos meliantes desde em um golpe divertidíssimo de um peru até o patrocínio furado de uma importação de um acervo artístico.

Para isso, Baby e o Barão apostam todas as fichas em uma falsa identidade para o primeiro, que se apresenta para a sociedade como um guru vindo do Tibet.

O Mau Caráter tem ótima direção e roteiro de Jece Valadão, que faz graça inteligente, inclusive, com o feminismo de Betty Friedan em suas turras com a personagem de Vera Gimenez.

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