A Aids sob a lente do cinema

Especial A Aids e o Cinema Brasileiro

 

Por Adilson Marcelino

 

Como bem argumentou o pesquisador Carlos Alberto de Carvalho no artigo exclusivo para a Zingu! Memória e esquecimento da Aids  no filme Cazuza, o tempo não para, muito rapidamente o cinema se debruçou o tema. E brilhantemente, ele discorre sobre esse recorte, desaguando em considerações sobre o filme dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Agora quando o recorte é quantidade de produções em longas, principal carro-chefe da produção,  nesses mais de 30 anos desde o surgimento da Aids, aí a situação não é nada atraente.

Se compararmos com outras tragédias que assolaram a humanidade,  como a peste negra, as grandes guerras mundiais, o holocausto,  e suas representações no cinema mundial, quando o assunto é Aids, o que se pode constatar é que o número de produção de filmes é bem inferior, sobretudo no campo de longa-metragem de ficção. Ou pelo menos do que chega até nós no circuito comercial.

Nesse universo nos lembramos de cara de filmes como  Mauvais Sang (1986), de Leo Carax, Filadélfia (1993), de Jonathan Demme,  Antes do Anoitecer (2000), de Julian Schnabel.

No cinema brasileiro não é diferente.

Desde o pioneiro docudrama produzido e dirigido por David Cardoso em 1986, Estou com Aids, com pouquíssima constância o tema resultou em longas de ficção no cinema nacional. E mesmo quando o formato é documentário em longa, quase sempre essas produções ficam confinadas nas TVs  Educativas.

Sérgio Bianchi foi outro pioneiro com seu interessante Romance (1988), perfeito representante do talento e do estilo cru e certeiro do cineasta.

Nelson Pereira dos Santos, considerado por muitos como o mais importante cineasta brasileiro vivo, foi dos poucos diretores do primeiro time que abordaram o tema. E ele fez isso elegantemente no subestimado Cinema de Lágrimas (1995).

Já nos anos 2000, foi a vez de chegar às telas a grande produção Carandiru (2003), de Hector Babenco, e a biografia Cazuza, o tempo não para (2004), de Sandra Werneck e Walter Carvalho.

Dentre os documentários, vale ressaltar O Olhar Triste (1995), de Olívio T. de Araújo, Positivas (2009), de Susanna Lira, e Dzi Croquettes (2010 – foto), de Tatiana Issa e Rafael Alvarez.

Todos esses longas estão focalizados nesse especial da Zingu! A Aids e o Cinema Brasileiro.

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